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Kundun ou o percurso do actual Dalai Lama. Mas é muito mais do que o percurso do Dalai Lama, a sua geografia, as montanhas do teto do mundo.

Kundun comoveu-me de uma forma difícil de colocar em palavras. A magia dessa transferência de almas e consciências através dos tempos… O carácter alegre e inteligente da criança… O confronto entre duas realidades, dois mundos, duas lógicas completamente diversas, dois universos paralelos: o Tibete e a China.


Reparem na postura e na fragilidade do jovem Dalai Lama nesse encontro com um Mao gigante, truculento, boçal e psicopata. E o seu olhar sábio – magnífica metáfora! –, para os sapatos do gigante, bem lustrosos. Essa imagem ficou-me para sempre gravada, como a melhor cena do filme e a melhor descrição de sempre dessa sinistra personagem.


O rapazinho sobrevive à fuga para o exílio. Mesmo doente, chega à fronteira com a Índia. Depois disso, um outro percurso, de toda uma vida. Scorsese captou a sua alegria em criança. Ainda hoje é essa alegria que me impressiona, no riso, apesar do cansaço.

No exílio, que ainda hoje se mantém, um rapazinho (ainda o é, de certo modo…) representa a última esperança, toda a esperança de um povo, de uma cultura, de uma filosofia de vida...

 

 

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publicado às 20:24

A revolta dos replicantes contra o seu criador

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 11.07.09

 

Ridley Scott diz que foram sonhos e também coincidências que tornaram tudo possível. Às vezes acontece: encontros felizes, afinidades, cumplicidades.

Desde o argumento, as personagens, os cenários, os actores, o ambiente nocturno e decadente, a música, tudo, tudo, nos transporta para um futuro-parábola da natureza humana: a criação de um mundo onde tudo é traficado, um mundo de novas escravaturas, aqui na figura de replicantes.


Os replicantes e os implantes da memória. Os replicantes e o prazo operacional definido. Os replicantes e a ideia de perfeição funcional. A revolta dos replicantes. São ideias que fascinam.


Em Blade Runner somos contagiados pela espera ansiosa: a entrevista a um dos replicantes; a subida de outro, no elevador, até ao seu criador; a entrada do nosso herói no laboratório do Sebastian; a luta final no telhado; a ansiedade do nosso herói em relação à captura da sua amada.


Também parece que o único pormenor sobre Los Angeles, ainda não antecipado, são os carros voadores. De resto, o filme aproxima-se muito da actual cidade multicultural.

Quanto à existência ou não de replicantes ou Blade Runners… se considerarmos as metáforas… será que não existem?

 

  

 


Obs.: Saiu há tempos o DVD com novas sequências, efeitos especiais, comentários e a história da sua construção. E parece que também já estará disponível uma Edição de Coleccionador com mais outras três versões do filme.

 

Coincidência muito interessante: Descobri uma referência ao Ridley Scott e ao Blade Runner neste post magnífico, Micro-Ensaio Acidental sobre Ficção Científica,no Jardim de Micróbios.

 

 

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publicado às 12:05

Tudo está no nosso olhar

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 09.07.09

Out of Rosenheim (Café Bagdad). A chegada da mulher estrangeira ao Café Bagdad, de mala na mão, deixando um marido para trás. E ainda por cima a mala errada, com as roupas dele.

Os estranhos habitantes daquele motel ao lado do Café e das bombas de gasolina, perdidos naquele deserto. A começar pela dona do negócio, Brenda, uma mulher histérica e irascível.

A aproximação das duas mulheres que irão formar uma verdadeira equipa, depois de muitas atribulações. O contraste entre elas é aliás fabuloso. A mulher calma e afectuosa, por quem o pintor ficará desde logo fascinado, irá suavizar o clima geral do café, a começar pelo pó acumulado, pela desarrumação, pelo mau-humor.


Aqui são circunstâncias improváveis que trazem novas formas de ver a vida e de a viver. Tudo está no nosso olhar. Como olhamos o outro. E como olhamos a vida.


Há uma cena muito simples e muito poética, da mulher a correr atrás de um boomerang. E do pintor a olhá-la, hipnotizado. Irá conseguir pintá-la. E um dos quadros ficará a somar os dias até ela voltar.

Uma das cenas finais é absolutamente indizível: magnífica Marianne Sägebrecht! Toda a claridade e frescura naquele yes! E magnífico Jack Palance! Repararam naquele sorriso luminoso de Jack Palance?

 

 

 

Coincidências interessantes: Já aqui dediquei um post a um outro filme, igualmente num local isolado, no meio do nada, e com um café onde se servem refeições e umas bombas de gasolina: The Petrified Forest. Com cerca de 50 anos de diferença entre si, em ambos surgem dois viajantes, aparecidos do nada: no primeiro é um escritor-nómada, neste uma mulher que acaba de sair do carro ali mesmo, em plena estrada. Só que no primeiro é uma jovem amável e generosa que recebe o viajante e neste é uma mulher irascível e desconfiada que encara a recém-chegada. Mas tanto o viajante como a recém-chegada irão alterar de forma profunda e definitiva a vida dos que os acolhem. Bem, neste a alteração é muito mais abrangente: a recém-chegada terá uma influência benéfica em toda a gente, por assim dizer: a começar pela mulher com o tal péssimo feitio, passando pelos seus dois filhos, uma miúda que ainda anda à deriva e um rapaz que toca piano de forma obsessiva. Já para não falar do pintor, que vê nela, e de um relance, uma luminosidade e suavidade invulgares. Que por ela fica verdadeiramente fascinado. E que terá de a pintar e de a guardar consigo. Bem, e não fica por aqui: a sua energia e criativadade transformam aquele café para sempre, ficará tudo arrumado e a brilhar, e os viajantes, neste caso camionistas de longo curso, terão direito a espectáculo musical com números mágicos incluídos.

 

 

 

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publicado às 15:06


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